O que você precisa saber antes de escolher seu carregador do tipo mochila

Quais as características importantes para escolher o carregador da criança? Confira as dicas na coluna da Ergolife.

11/02/2018 | 11:00
Última atualização: 11/02/2018 | 09:29

Foto: Divulgação

Mochilas são os carregadores que se fixam no corpo do adulto com alças de presilhas e regulagens pré-estabelecidas. Diferente dos panos, como wrap, sling de argola ou pouch, que dependem de amarração, as mochilas são carregadores de bebê estruturados. No entanto, existem alguns tipos de mochilas, que genericamente podem ser separadas em dois grupos: Cangurus X Ergonômicos.

Cangurus

 

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Reparem como as pernas do bebê ficam esticadas no modelo Canguru.

Ergonômicos

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Reparem como as perninhas do bebê e sua coluna ficam fisiologicamente adequadas nesse outro modelo.

 

1) Articulações do Quadril

Os quadris dos bebês são naturalmente flexíveis. Um carregador apropriado deve imitar a forma como os carregamos e respeitar a forma com que o bebê se posiciona sozinho, quando segurado. Quando pegamos um bebê no colo, ele vai instintivamente encolher as perninhas em uma posição parecida com as pernas do sapo, e a pessoa que o segura vai apoiá-lo no bumbum de forma que sua cabeça fique próxima ao seu rosto, à distância de um beijo. Um bebê maior, vai instintivamente colocar suas pernas em torno da pessoa que o carrega, como apoio.

Um carregador que não é ergonômico (conhecido como canguru) não vai respeitar esse posicionamento natural do bebê.

 

2) Coluna em “C”

Outra ressalva está na posição da coluna do Bebê. Instintivamente, os bebês assumem uma posição da coluna em “C”. As outras curvas da coluna vão começar a se desenvolver mais tarde – a curva cervical quando eles conseguirem segurar a própria cabeça e a lombar quando engatinharem ou andarem.

 

 

Até lá, a coluna não deve ser esticada artificialmente, para evitar problemas no desenvolvimento natural da coluna e desconforto aos pequenos. Além disso, eles ainda não têm músculos suficientes para suportar a própria coluna e os discos intervertebrais não conseguem ainda absorver impacto.

3) A opção de olhar para o mundo!

Carregadores do estilo canguru promovem seus produtos com a versátil opção de carregar seu bebê olhando para o mundo. Carregar seu bebê olhando para fora não respeita o posicionamento dos quadris, pernas e coluna, além de não dar suporte a cabeça se o bebê dormir.  Salvo as formas de carregamento agrupado (buda) ou em berço lateral, que apoiam costas e nuca em leve torção no tronco da mãe.

Um outro problema discutido nessa posição é a super-estimulação. Quando o bebê se vê estimulado demais, ele não consegue se aninhar na mãe ou se esconder. Ele está forçado a acompanhar tudo que acontece, coisa que não é fácil para ele. Pode ser estressante. Essa super-estimulação pode trazer problemas para dormir, bebês nervosos, que choram muito, simplesmente porque foram forçados a acompanhar tudo que aconteceu a sua frente, sem chance de descansar a vista no peito da mamãe. Alguns bebês mais curiosos gostam mesmo dessa posição que pode ser alcançada com um sling anatômico, posicionado corretamente no quadril ou nas costas.

4) Conforto

É importante que o bebê esteja no campo de visão de quem o carrega, ou seja, topo da cabeça no queixo da mãe. Essa regra é válida tanto para a forma frontal, lateral e traseira de se carregar um bebê. Recomenda-se que o topo da cabeça do bebê esteja posicionado próximo ou até acima do ombro de quem carrega. Posicionar o corpo do bebê na região do tórax do cuidador (pernas do bebê posicionadas cintura alta) proporciona conforto no transporte, pois não sobrecarrega a curva lombar que já é responsável por todo suporte de peso da região superior do corpo.

Quando um bebê é posicionado muito abaixo da região torácica há uma sobrecarga na região dos ombros de quem o carrega o que causa desequilíbrio corporal, ou seja, uma postura encurvada o que causa dores e até um possível dano físico, pois o excesso de peso é um grande fator de risco para o desgaste da região lombar.
A má distribuição de peso nas costas pressiona as vértebras, essa pressão atrapalha diretamente o ato de caminhar, o peso diminui a rotação pélvica e essa diminuição pode levar a prováveis quedas e lesões, pois como o tronco fica ligeiramente voltado para frente o corpo, ou seja, o corpo perde seu eixo de equilíbrio.

Tatiana Saches

Tatiana Saches

Fisioterapeuta do Trabalho e Ergonomista - Ergolife Ltda

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