O poder das amizades na vida de uma pessoa

Seus amigos podem lhe trazer saúde, riqueza e felicidade. Vale a pena conferir o texto assinado por Lucila Tonelli.

05/04/2018 | 14:00
Última atualização: 05/04/2018 | 14:14

Foto: Banco de imagens (Pixabay)

Eu sou uma pessoa que tem muitos amigos. Muitos mesmo. Recentemente tive até uma grande surpresa em saber que são maravilhosos e generosos e capazes de guardar um baita segredo! Eu costumo bradar aos quatro ventos que, se tem uma coisa que eu sou nessa vida, é boa amiga. Mas nem imaginava que meus amigos e minhas amigas iam retribuir tão lindamente! (Não vai ter modéstia, já aviso. Essa é uma das minhas melhores qualidades e eu tenho orgulho de ser assim). Por isso hoje, quando li em uma rede social o quanto é triste quando um amigo não tem tempo pro outro, fiquei pensando em que tipo de amigo é esse, que não tem tempo pra outro amigo?

Sim, a vida é corrida, e todo mundo tem o que fazer e em quê gastar seu tempo. mas os amigos tem que estar incluídos aí, não? O que seria de você sem seus amigos? Como deixá-los pro fim de semana seguinte?

Se pensamos as amizades como relação de troca, e assim são todas as relações humanas por definição, então saberemos que a troca, no caso da amizade se dá no nível do interesse pela vida da outra pessoa. Na prática, pra considerar uma pessoa como amiga, você deve estar recebendo o mesmo tanto de atenção que está dando. Se não for assim, a balança desequilibra, o que significa que, na linguagem da amizade, alguém sairá magoado. Se você dá ao seu amigo ou à sua amiga mais atenção do que recebe, sabe do que eu estou falando. O outro é aquele amigo que adora quando você se interessa sobre as coisas dele ou dela, ou o trabalho dele ou dela, ou aquela viagem, e ele ou ela é capaz de falar por horas. Mas não pergunta como você está, e o que tem feito. Ou quando pergunta, e o assunto se volta pra você, ele ou ela rapidamente se cansa, e a conversa acaba. É aquele amigo que aparece de vez em quando, diz que está com saudade, e que você está sumida (não confundir com um “ooi sumidaaa”, isso é outra coisa, hehehe. um dia escreverei sobre isso, quem sabe? ), pra logo em seguida pedir um favor. Na hora você fica feliz com aquela atenção, lembra do espaço especial que aquele amigo ou amiga tem na sua vida, mas tente se lembrar também de como a falta daquela atenção te faz sentir que tem alguma coisa errada nessa amizade.

Talvez nesse momento, você que está lendo pense que, se isso é algo que acontece entre você e um amigo seu, você sinaliza que algo nessa amizade não vai bem. Bem, cada um no seu critério, certo? Se você fez isso e funcionou, ótimo. Mas eu sou do tipo (vênus em sagitário, marte em leão, ai ai) que acredita que atenção genuína tem que ser oferecida, não reclamada,. Especialmente na amizade, onde o nível de cobrança não é o mesmo de relacionamentos românticos. Não sei como pedir mais atenção a uma pessoa que não percebe que está me dando pouca. Penso que ela está dando tanta atenção quanto quer me dar (na verdade isso é meio óbvio pra mim, porque ninguém é tão ocupado assim, nem por tanto tempo). O que eu faço, quase sempre, é diminuir o tanto de atenção que dou até equivaler ao que recebo. Mas isso é porque eu não sou do tipo carente, e tenho muitos amigos especiais. Aliás, nessa altura da vida, quando percebo que eu e aquele amigo estamos nos distanciando, já dá pra saber se a amizade vai se recuperar ou não.

A reflexão vale pro outro lado também. Você tem um amigo ou amiga que antes mandava mensagem todo dia, chamava pra sair e dividia as aventuras de viver e não faz mais? Faz uma análise de consciência aí (também conhecido como: releia as mensagens do backup do aplicativo de chat). Quem costumava começar a conversa? De todas as vezes que essa pessoa se interessou sobre a sua vida, quantas você retribuiu o interesse?

É como diz uma amiga muito querida ( e das que conhecem o processo) : se você não está retribuindo, não está cultivando uma amizade. O que você está querendo é um fã. E por mais que tenha mil e um talentos, se não mostrar interesse, pode saber que, cedo ou tarde, terá um amigo ou amiga a menos.

Te digo uma coisa: um amigo ou amiga – falando aqui de conhecimento de causa – é uma pessoa que te admira e aprecia sua companhia na vida, e apóia suas decisões, e te avisa quando você está fazendo uma besteira, e não te julga, e quer ver o seu sucesso. Cabe a você decidir se você quer essa pessoa na sua vida ou não…(como boa amiga, te dou duas opções, “sim” ou “com certeza”)…

Convido então a chamar todos os seus amigos aí, recentes ou antigos, da facul ou do trabalho, da rede mundial ou do colégio, da academia ou do bar, sim, todos eles! Pra um chopp ou um café (das coisas que se divide com amigos), um hambúrguer ou uma pizza, um fim de semana ou as férias inteiras; pra fazer mais parte da sua vida. Pra te contar como anda aquele projeto, e ouvir também, quando você começar a falar do seu; pra dividir uma alegria, ou, às vezes, uma tristeza, sua ou da pessoa, afinal, a vida é feita disso também. E especialmente pra lembrar porque viraram amigos em primeiro lugar.

Garanto que não será um tempo de arrependimento.Será um tempo de certezas.

E se chegar à conclusão que essa amizade chegou ao fim, estabeleça o ponto final. E deixe ir (let it go, no melhor estilo frozen), porque quando uma pseudo-amizade se vai, há vagas para novxs e (tomara!) melhores amigxs.

Lucila Tonelli

Lucila Tonelli

Cientista social formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), coordenadora do CCAA Piracicaba, apaixonada por café, livros e bons momentos com os amigos.

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