Maratona Materna: experiências e vivências de uma mãe

Há três meses, Raquel Gozetto divide as alegrias e dificuldades da maternidade em blog.

14/01/2018 | 10:22
Última atualização: 14/01/2018 | 10:25

Foto: Felipe Valim

Ser mãe não é tarefa fácil e, como já diz o ditado, “ninguém nasce sabendo”. Mãe de primeira viagem, foram muitos os desafios e as descobertas vividas pela médica veterinária Raquel Gozetto, de 29 anos, mãe do João Pedro, de um ano e quatro meses.

Momentos, dificuldades e felicidades que a incentivaram a dividir e compartilhar os aprendizados com a maternidade – que nunca cessam –  com outras mães. Há três meses, Raquel lançou o blog “Maratona Materna”. O espaço reúne experiências e informações para quem desejam saber mais sobre esse universo.

Em entrevista ao PIRADIGITAL, ela fala sobre a mudança radical no estilo de vida depois de descobrir a gravidez, os motivos que a levaram a escrever o blog e o que tenta passar com seus textos. Propõe uma visão mais humana e menos perfeccionista acerca da maternidade. Confira!

 

Raquel e o filho João Pedro de um ano e quatro meses/Foto: Felipe Valim

 

PIRADIGITAL: Por que você resolveu criar o Maratona Materna?
Raquel Gozetto: O Maratona veio como um pedido de companhia. Comecei a compartilhar na internet algumas situações por me sentir muito sozinha quando João Pedro nasceu e isso acabou ganhando força. Dividir as alegrias e dificuldades num assunto como a maternidade é ajudar outras pessoas também.

PD: O que você procura passar com seus textos?
RG: O objetivo do Maratona é trazer minha experiência e as informações de parceiros, relacionados ao assunto, para quem interessar: mães, pais, avós e até quem ainda não tem filhos, mas tem curiosidade sobre o tema. Tento trazer grande diversidade de conteúdos, como: amamentação, alimentação, dicas, comportamentos, receitas, pediatria, psicologia, histórias, faça você mesmo, entre outros.

PD: Que motivos a levaram a mergulhar no universo materno além da sua própria experiência como mãe? 
RG: Acompanhei muitos blogs que passavam informações erradas. Digo na área da saúde, como vacinas, por exemplo – já que a maternidade não tem certo e errado, não é? Outro ponto foi perceber que muitas mães se sentiam como eu e não como a maioria das páginas em que se coloca a maternidade como algo fácil, sem nenhum tropeço ou falha.

PD: Qual foi a sua principal dificuldade quando começou o Maratona?
RG: A vergonha. Eu não tinha perfil de me expor dessa forma e também não era fácil colocar meus sentimentos ali.

PD: Como você equilibrou suas atividades de mãe com o tempo dedicado ao blog?
RG: Ainda tento equilibrar! Escrevo quando o JP dorme ou quando está com alguém da minha rede de apoio, por exemplo. Enquanto isso não acontece, anoto as coisas que ocorrem durante o dia para não esquecer.

 

“Escrevo quando o JP dorme ou quando está com alguém da minha rede de apoio”, diz Raquel/Foto: Isa Silvano

 

PD: E o que mudou em sua vida depois do Maratona?
RG: Companhias e amizades de pessoas que estão na mesma fase que eu. Essa foi a maior mudança.

PD: Você sente o retorno de outras mães e do público no geral?
RG: Sim, consigo compartilhar minha rotina, falar sobre o que me incomoda ou a culpa que senti em determinada situação. E as pessoas se identificam, consolam, dão força e parabenizam. É uma interação muito legal!

PD: E com relação ao seu estilo de vida, o que mudou depois da gravidez?
RG: Tudo! (risos). Eu trabalhava na área comercial como veterinária, viajava o estado todo, percorria, em média 1.500 km na semana. Eu montava em cavalos também. Então, aos finais de semana vivia em função deles, nos cuidados ou nas competições.Hoje, não atuo mais na área e ainda não consegui voltar a montar.

PD: Para finalizar, qual foi a situação mais divertida e a mais difícil sobre a qual você já escreveu?
RG: A mais difícil, sem duvidas, é meu afastamento dos cavalos, tanto que ainda não consegui publicar – o texto está prontinho e fico sem coragem. A dificuldade de falar sobre o assunto ainda é enorme! A mais divertida foi quando descobri a gravidez, acredita que passei quase uma semana sem conseguir contar para o marido? Estava viajando a trabalho e fiquei tão em choque que preferi esperar e contar pessoalmente.

 

“As pessoas se identificam, consolam, dão força e parabenizam”, diz mãe sobre o contato com o público/Foto: Isa Silvano

Arlete Moraes

Jornalista | PIRADIGITAL | arlete@piradigital.com.br

PIRADIGITAL © 2017 Todos os direitos reservados