A importância do teste da linguinha nos recém-nascidos

Obrigatório, o exame é feito no bebê para identificar alterações no frênulo lingual. Confira o texto assinado pela fonoaudióloga Flávia Lyrio.

24/07/2017 | 12:00
Última atualização: 24/07/2017 | 11:39

Foto: Divulgação

Todo recém-nascido deve fazer o Teste da Linguinha ainda na maternidade e realizado por um fonoaudiólogo! É lei desde 2013. Entre as inúmeras causas de dificuldade para amamentar, relatadas na literatura, a linguinha presa, provocada pela alteração no frênulo lingual, é  uma delas (ROWAN-LEGG, 2015; FERRÉS-AMAT et al., 2016; NUZRINA et al., 2016).

No consultório, com a fonoaudióloga Cláudia Navarro, realizo o teste da linguinha e recebo muitas mães aflitas porque querem amamentar e encontram grande dificuldade. Muitos bebês já com desmame precoce.

Os bebês com o frênulo alterado, ficam cansados mais rapidamente durante a amamentação, apresentam sinais de estresse e até perda de peso. Estudos mostram, por meio da ultrassonografia e da bioengenharia, a importância da movimentação da língua para as funções orofaciais de sucção e deglutição, demonstrando que os movimentos de elevação e abaixamento da língua são essenciais para a criação do vácuo, necessário para a retirada do leite (SAKALIDIS et al., 2013; ELAD et al., 2014; CANNON et al., 2016).

A literatura refere ainda, que os movimentos de sucção favorecem o adequado selamento labial durante o estado de repouso e a correção do retrognatismo mandibular fisiológico (SERRA-NEGRA et al., 1997), contribuindo para o correto posicionamento da língua na região palatina, resultado da intensa atividade dos músculos da língua (NEIVA et al., 2003).

Um estudo realizado com 324 bebês mostrou que a posição da língua sem alteração do frênulo lingual tendeu a permanecer elevada no repouso. Por outro lado, nos bebês com alteração do frênulo lingual, a língua tendeu a se manter baixa na cavidade oral durante o repouso (MARTINELLI et al., 2014).

Alguns autores afirmam que o posicionamento baixo de língua, causado pela alteração do frênulo lingual, pode alterar o crescimento orofacial, impactando particularmente no desenvolvimento da maxila. Isto leva ao desenvolvimento anormal do palato duro (alto e estreito), e secundariamente, à respiração oral durante o sono. Essas alterações ocorrem no início da vida, uma vez que o crescimento orofacial é particularmente rápido nos primeiros dois anos de vida (HUANG et al., 2015). Além disso, a alteração do frênulo lingual não tratada no momento do nascimento está associada com a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono em idade mais avançada (GUILLEMINAULT et al., 2016).

Consulte um fonoaudiólogo que realiza o Teste da Linguinha. Com a realização do protocolo de avaliação é possível orientar a mãe e encaminhar o bebê para solucionar a alteração o quanto antes, garantindo a amamentação mais adequada, por um período maior e evitando até alterações de fala, no futuro.

Flávia Lyrio

Flávia Lyrio

Flávia Lyrio (CRFa 2-12772) Tem experiência de 18 anos na realização de processos terapêuticos em adultos e crianças com alterações em linguagem, voz, motricidade oral, reabilitação vestibular e leitura e escrita. Também realiza o Teste da Linguinha em bebês. É graduada em Fonoaudiologia e realizou mestrado com ênfase em Linguagem, pela PUC-SP.

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