Halloween: Quem disse que a bruxa é má?

Neste 31 de outubro, Dia das Bruxas, o Piradigital conta essa história pelos olhos de uma ‘bruxa dos tempos modernos’.

31/10/2018 | 09:00
Última atualização: 31/10/2018 | 08:07

Foto: Pixabay.

Feitiços, gato preto, caldeirão e a figura de uma mulher, geralmente nariguda, sentada em uma vassoura voando em frente a lua. Essa é a imagem que muitos de nós ainda guardamos das bruxas: “criaturas sombrias, com habilidades místicas voltadas para a realização do mal”. Este olhar maniqueísta sempre aparece nas histórias infantis, nas quais mulheres solitárias, de aparências terríveis, lançam maldições sobre as pessoas, geralmente dando risadas macabras enquanto mexem um caldeirão.

Mas, será que as bruxas são realmente más? Elas existem? Para entender melhor quem são elas, nesta quarta-feira (31 de outubro), dia em que se comemora o Halloween, conhecido no Brasil como “O Dia das Bruxas”, o PIRADIGITAL resolveu contar essa história por meio do olhar de uma “bruxa dos tempos modernos”.

A 62 quilômetro de Piracicaba (SP), em Santa Maria da Serra (SP), vive Málica, uma dona de casa que se considera bruxa. Mas, calma! ela está longe de se parecer com as criaturas que conhecemos dos contos de fadas. Para ela, aliás, a forma como vemos a bruxaria é equivocada.

“Tem gente que fala: “mas como a bruxa é má!”. Não, quem disse que a bruxa é má? Quem pratica o mal nem pode ser tachado como bruxa ou como mago”.

Málica se interessou pela magia com 16 anos. Foto: Arquivo pessoal (Málica).

‘Um mundo diferente’
Na opinião da dona de casa, que vive com a família em uma estância cercada pela natureza e cultiva uma horta orgânica, ser bruxa é desenvolver uma relação de sensibilidade tão completa que permita viver de uma forma melhor e mais harmônica. São coisas simples como a relação de respeito com a natureza, a forma de cozer os alimentos e até mesmo de cultivá-los que, segundo ela, formam uma bruxa.

“A bruxa colhe um alecrim […] mas pede licença para mãe natureza para tirá-lo da terra e plantá-lo novamente para que não falte para ninguém”.

Para ela, todas as pessoas podem se considerar magos ou bruxas porque todas têm a capacidade de transformar as coisas com energia. A habilidade de observar os estímulos da natureza e compreende-los, no entanto, vem com o tempo e paciência.

“Não é difícil, pode ter certeza. É um mundo diferente. É tudo o que vocês têm só que com uma outra visão. [Algumas pessoas] não despertaram ainda para o conhecimento, sobre como é ser bruxa”.

‘Busca pelo equilíbrio’
Málica tinha 16 anos quando começou a se interessar pelo mundo místico. Foi o gosto por fadas, gnomos, duendes e salamandras que a fez procurar mais informações sobre a bruxaria e a magia. “Eu achava impossível que só nós, humanos, tivéssemos vida”, conta ela.

E o que faz uma bruxa? De acordo com Málica, a bruxa carrega a responsabilidade de passar os ensinamentos dos nossos antepassados, que foram mortos na fogueira por conhecer o poder das ervas e o poder da lua. As bruxa utilizam as forças do universo ao seu favor. Trata-se de ter uma sensibilidade maior com as pequenas coisas do dia a dia.

“Ser bruxa é o caminho da busca pelo equilíbrio. Ela descobre sentimentos, segredos da própria alma e traduz em gestos de carinho com a natureza e com o próximo. Ser bruxa também é não fazer e não pedir o mal para ninguém porque isso é o que aprendemos com o grande mestre do universo, que é Deus”.

Málica realiza uma festa de Helloween todos os anos em sua casa. Foto: Arquivo pessoal (Málica).

Halloween
De acordo com a professora da Faculdade de Ciências Humanas (FCH) da Unimep, Fernanda Bacellar, as primeiras manifestações que deram origem ao Halloween americano foram trazidas pelos Celtas quando esses chegaram na América.

Os celtas, foram os irlandeses que saíram da Irlanda para os EUA e que celebravam o festival de Samhain. O evento tinha três dias de duração e começava em 31 de outubro. Nessa celebração, além de se festejar o final do verão, comemorava-se também a passagem do ano celta, que iniciava em 1º de novembro.

Esses povos acreditavam que nessa data os mortos podiam se apoderar dos corpos dos vivos e, por essa razão, se fantasiavam, para se proteger dos maus espíritos.  A festa se tornou também um tributo aos falecidos.

“Todo mundo acha que a morte é algo negativo, mas não. Eu acho que temos que olhá-la com outros olhos. Como olhar para ela? Prestando homenagem aos nossos ancestrais porque hoje nós estamos aqui por causa deles”, explica a docente.

 

 

 

Arlete Moraes

Jornalista | PIRADIGITAL | arlete@piradigital.com.br

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