Fadiga no trabalho

Ela é causada por um conjunto de fatores, nomeadamente, fisiológicos, psicológicos, ambientais e sociais. Confira o texto da Coluna Ergolife assinado por Estela Galvani Fuzatto.

27/08/2017 | 10:20
Última atualização: 27/08/2017 | 09:54

Foto: Banco de imagens (Pixabay)

Definimos fadiga como um estado de diminuição reversível da capacidade funcional de um órgão, de um sistema ou de todo o organismo, provocado por uma sobrecarga na utilização daquele órgão, sistema ou organismo.

A presente definição contém alguns elementos importantes:

–              Há uma diminuição e não uma exaustão da capacidade funcional, e este estado de diminuição pode ser reversível;

–              Nosso corpo, como uma máquina, possui uma determinada capacidade funcional, que, se ultrapassada, dá sinais de sobrecarga e diminui seu ritmo de funcionamento.

Portanto, a fadiga, por si só, não é um estado grave, e sim uma manifestação positiva de alerta para o organismo, que informa ao indivíduo da conveniência de não forçar a atividade que esteja desenvolvendo.

O estado de fadiga só se torna perigoso para a saúde quando aparecem dois agravantes:

–              Se, no instante em que se manifestar a fadiga, o indivíduo forçar o organismo, podendo precipitar a exaustão e o aparecimento de dores generalizadas;

–              Se a fadiga for cumulativa (semana após semana, mês após mês), quando então aparecerá o quadro de fadiga crônica.

Fadiga aguda e fadiga crônica
Um trabalhador em atividade em ambiente quente e associado com trabalho físico pesado, tende a ocasionar um aumento da temperatura corpórea, com sudorese excessiva, perda de sódio e eletrólitos. Se não houver concomitantemente a esta sobrecarga uma pausa em ambiente menos quente, uma reposição hídrica e uma reposição eletrolítica, esse indivíduo irá desenvolver a chamada Fadiga Aguda, cujas características são:

–              Sensação de fraqueza, sonolência ou desmaio;

–              Aversão ao trabalho;

–              Raciocínio indolente;

–              Redução do grau de alerta;

–              Declínio da performance física e mental.

Caso se institua rapidamente medidas para compensar esta sobrecarga, o quadro será revertido. No entanto, caso ocorra uma sobrecarga durante vários dias, evoluirá para uma Fadiga Crônica, cuja característica principal é a persistência dos sintomas:

–              Sensação de cansaço pela manhã, antes do trabalho;

–              Sensação de desgosto;

–              Instabilidade psíquica;

–              Irritabilidade;

–              Dor de cabeça constante;

–              Tonturas e vertigens;

–              Taquicardias imotivadas;

–              Perda do apetite;

–              Alterações digestivas.

A fadiga física no trabalho pode ser classificada de acordo com a origem do mecanismo de sobrecarga, sendo, neste caso, abordado a Fadiga Muscular.

Nossos músculos podem se contrair de duas formas básicas:

–              Contração isotônica: há diminuição do comprimento muscular, sem haver aumento da tensão interna. Por exemplo, fletir o antebraço sobre o braço;

–              Contração isométrica: há aumento da tensão muscular, mas não ocorre diminuição do seu comprimento. Por exemplo, segurar um peso de 5 kg com o membro superior estendido.

Na maioria das vezes, a contração muscular é mista, e raramente ocorre uma contração isométrica pura ou uma contração isotônica pura. Sabendo-se que a contração isotônica consome muito mais oxigênio que a isométrica, poder-se-ia supor que a contração isotônica predispusesse mais à fadiga que a contração isométrica. Tal não ocorre e a fadiga é bem maior na contração isométrica. Isto porque o sangue flui para os vasos no período de relaxamento muscular que é praticamente inexistente na contração isométrica. Essa diminuição do fluxo sangüíneo induz ao aparecimento anaeróbico, que tem como um dos principais metabólitos o ácido láctico. Este tem a capacidade de estimular receptores de dor e são os causadores das dores musculares que o indivíduo sente na situação de fadiga.

Pausas de recuperação durante a jornada

As pausas são classificadas em 4 tipos:

  1. Pausas espontâneas: são aquelas que o trabalhador naturalmente assume, geralmente por pequenos períodos de tempo e geralmente associadas ao trabalho mais fatigante.
  2. Pausas furtivas: são aquelas que o trabalhador procura adotar sem ser visto ou percebido, geralmente procurando um derivativo justificável para a sua atitude, aproveitando a oportunidade proporcionada pelo trabalho: limpando alguma parte da máquina, saindo do posto com o pretexto de procurar alguma informação, ou mesmo ir ao banheiro. Este tipo de pausa tende a predominar em situações de maior carga física ou tensional do trabalho.
  3. Pausas inerentes à natureza do trabalho: são bem características nos casos de esperar que a máquina complete seu serviço, que o equipamento se aqueça, pela chegada de um componente, pelo reparo de uma máquina. Este tipo de pausa é muito frequente em áreas de serviços e em linhas de montagem, onde os trabalhadores mais jovens conseguem executar a atividade mais rapidamente e têm algum tempo entre uma peça e a seguinte.
  4. Pausas prescritas: são aquelas determinadas pela administração: almoço, intervalo de pausa a cada hora ou a cada duas horas.

Normalmente, os 4 tipos de pausas existem ao longo de qualquer dia típico de trabalho em qualquer profissão ou função. É evidente que, quanto mais se reconhece a necessidade de pausas, prescrevendo-as, tanto menor passará a ser o número de pausas furtivas.

Pausas prescritas em quantidade e duração adequadas reduzem o absenteísmo. O grande receio do pessoal de produção em relação à prescrição de pausas se refere à queda na produtividade. Entretanto, a introdução de pausas prescritas não reduz a produtividade, pois reduz a possibilidade de fadiga.

Para atividades pesadas, o melhor sistema é de diversas pausas ao longo da jornada de 8 horas, com tempo de duração suficientes. O importante não é que o trabalhador tenha um tempo para compensar a fadiga, mas que, de preferência, não chegue a desenvolvê-la.

O intervalo de 15 minutos pela manhã e à tarde atende a 3 objetivos principais:

–              Ajuda a prevenir a fadiga;

–              Fornece oportunidade para reduzir o grau de tensão;

–              Fornece oportunidade para alguma interação social.

Os problemas maiores de prescrição de pausas ocorre em linhas de montagem; os estudos têm demonstrado que a prescrição das mesmas reduz a fadiga a aumento o grau de concentração.

Estela Galvani Fuzatto

Estela Galvani Fuzatto

Diretora Geral – Ergolife Ltda (www.ergolifenet.com.br)

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