Estresse: Doença profissional

Situação pode causar desequilíbrio físico e psíquico. Confira texto na coluna da Ergolife, assinado por Fabiana Berto.

24/12/2017 | 15:10
Última atualização: 26/12/2017 | 09:39

Foto: Banco de imagens (Pixabay)

As mudanças ocorridas nas grandes empresas nos últimos anos, além da globalização, tornaram os funcionários cada vez mais vulneráveis aos efeitos do estresse. Com isso, as tensões criadas entre os empregados de diversos níveis hierárquicos reduzem a eficiência do trabalho.

Dados publicados pelo Bureau Internacional do Trabalho apontam um gasto de 200 bilhões de dólares. Na Inglaterra, o custo do estresse é avaliado em 10% do PIB. Mesmo que se possa se discutir o modo como essas estimativas são feitas, permanece uma certeza: o estresse custa muito caro para as empresas. Aliás, esta é a razão que leva 80% das empresas americanas a propor programas de gestão do estresse aos seus colaboradores, com um notável retorno, calculado em 4 dólares por dólar investido.

A tarefa de procurar sinais de estresse numa empresa começa pela observação atenta dos seus colaboradores. Se o comportamento deles é marcado pela pressa, agressividade e/ou isolamento, certamente a empresa está estressada.

A pressa revela que os empregados administram mal o seu tempo. Não sabem antecipar nem refletir. A pressa induz a uma ineficiência no trabalho em equipe e gera tensões entre os funcionários, que se acusam mutuamente de incompetência. Para se romper esse esquema é preciso aprender a hierarquizar tarefas e distinguir entre o que é importante e o que é urgente.

Outra expressão do estresse profissional é a tendência do estressado de se desmotivar e se isolar. Assim, o turnover voluntário de executivos e o alcoolismo no trabalho podem ser igualmente interpretados como modos de se defender do estresse profissional. Dessa maneira o menor resfriado, a primeira dor muscular ou a impressão de estar cansado são pretextos para pedir dispensa ao médico.

Mas em alguns casos a crise já modificou os costumes. No setor privado, onde paira permanentemente a ameaça do desemprego, os médicos do trabalho relatam a dificuldade que por vezes encontram para convencer um assalariado a tirar uma licença.

As duas primeiras formas de expressão do estresse profissional podem ser relacionadas com a ansiedade. Muitas vezes, o ansioso exterioriza o seu mal-estar por meio de agitação desordenada e de agressividade. Já o isolamento evoca sobretudo uma tendência depressiva. O estresse ainda é um tabu nas empresas brasileiras.

Como o estresse é uma doença, deve ser tratado por uma equipe multidisciplinar (clínicos, psicoterapeutas, especialistas em medicina desportiva e endocrinologistas) que avaliará o indivíduo como um todo, levantando os fatores de risco que agridem sua saúde e através de programas de saúde específicos para cada um.

Fabiana Berto

Fabiana Berto

Coordenadora de Ginástica Laboral da Ergolife | www.ergolifenet.com.br

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