Assim como na medicina humana, animais também precisam de doadores voluntários

Gesto pode salvar a vida não apenas dos seres humanos, mas também dos animais

07/01/2019 | 12:20
Última atualização: 07/01/2019 | 10:48

Foto: Banco de imagens (Pixabay)

Doar sangue é um gesto de amor que pode salvar a vida não apenas dos seres humanos, mas também dos animais. Para a veterinária especialista em doenças renais e urológicas, Soraya Kassouf Perina, da Clínica Cidade Jardim, em Piracicaba (SP), assim como na medicina humana, é preciso saber a importância da doação quando um cão ou gato precisa de transfusão. “É uma consciência social. Ter ciência de que um cão seu pode precisar receber um dia, assim como nós humanos também temos que ter esta ciência e doar”, avalia.

De acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMVSP), estima-se que sejam usadas cerca de 20 mil bolsas  de sangue por mês nos hospitais veterinários do Estado. Cães e gatos podem precisar da transfusão quando são atropelados, sofrem intoxicações ou passam por cirurgias que podem levar à necessidade de uma bolsa de sangue.

Também estão incluídos na lista, pacientes portadores de anemia por  causas diversas como tumores, doença renal, hemorragias, doenças parasitarias ou autoimunes, entre outras. Segundo o CRMV- SP, para ser um doador, os gatos precisam ter, no mínimo, seis quilos e o limite de coleta por animal é de 16 ml. Já os cães precisam ter mais de 30 quilos para a coleta máxima de 500 ml de sangue. Além disso, os animais precisam estar vacinados, vermifugados, ter entre dois e oito anos e, no caso das fêmeas, não podem estar no cio ou prenhas.

“O doador deve ter, de preferência, mais de 20 kg, a não ser que o receptor seja muito pequeno e a exigência do volume seja pequena. Deve-se evitar doadores com menos de um ano e pacientes idosos, com mais de 10. O animal deve ser dócil para aceitar o procedimento da retirada de sangue que pode ser feito pela veia jugular ou do membro anterior”, explica a Dr. Soraya sobre o procedimento.

Segundo a veterinária Telma Paparotto Coelho, responsável pelo laboratório Animal Labor, no local os cães que apresentarem as condições clínicas ideais para coleta de sangue – ter entre entre 1 e 8 anos de idade, pesar mais de 25 kg de estrutura, não apresentarem doenças metabólicas, estar vacinados e vermifugados – ganham o teste de PCR, que permite diagnóstico específico de doenças infecciosas como a Doença de Lyme (que é transmitida por carrapatos) e o hemograma.

Os exames servem para certificar que o animal doador está saudável e pode fazer a transfusão. Depois de realizados, o tutor recebe o resultado e fica sabendo se o cão pode ou não realizar o procedimento. Caso a bolsa de sangue apresente algum indício de doença, o responsável é orientado a procurar um veterinário para tratar o problema e a amostra de sangue é descartada.

De acordo com Soraya, da Clínica Cidade Jardim, o proprietário do cão receptor costuma pagar o hemograma e o teste de compatibilidade e é feita uma avaliação clínica antes da coleta de sangue. “Muitas vezes detectamos uma patologia no exame do doador, o tratamos e não o deixamos doar sangue”, explica.

Durante a transfusão e após o teste de compatibilidade sanguínea, conforme explica a veterinária, o receptor recebe as medicações e o sangue lentamente. É indicado também fazer uma monitoração de pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória durante o recebimento.

Para fazer a doação no laboratório Animal Labor os tutores devem entrar em contato com o laboratório pelos telefones (19) 34322704 e 34329896 para fazer o agendamento. O animal não precisa estar em jejum. As coletas realizadas no laboratório abastecem Piracicaba e região.

A clínica Clínica Cidade Jardim mantém o cadastro de proprietários parceiros dispostos a trazer os seus cães quando solicitado. O telefone para contato e maiores informações é o (19) 3433 9953. A veterinária responsável, destaca que, infelizmente, ainda há poucas pessoas que disponibilizam o seu tempo e o seu cão para doar sangue.

“Geralmente, o proprietário do cão que necessita receber o sangue, traz um doador de um amigo ou família. Alguns fieis clientes por vezes nos cedem o seu cão para doar sangue. Mas, não é rotina”, lamenta.

Assim como na medicina humana, a clínica depende de voluntários para atender a necessidade, que é frequente. “Na minha especialidade, doenças renais degenerativas provocam anemia. Nossa região também tem alta incidência de hematozoários, que provocam anemia (conhecida por doença do carrapato) e as verminoses”, explica.

Vira Lata Vira Vida
A ONG Vira Lata Vira Vida é um dos locais nos quais as doações de sangue também são muito importantes. “As vezes você tem um animal que passou por uma cirurgia e o tratamento não está indo bem ou o cão está com as plaquetas muito baixas e precisa fazer uma transfusão”, explica a  Conselheira Deliberativa da diretoria da organização, Maria Cecília Pizzinato.

Atualmente esses procedimentos são pontuais na instituição. Mas, como os cães atendidos pelo abrigo já são idosos, eles não apresentam condições de realizarem a transfusão quando necessário. Dessa forma, a ONG conta com o apoio de voluntários para atender a esses cães.

“Nós divulgamos nos grupos de voluntários e, não havendo a possibilidade, fazemos contato com pessoas que tenham animais saudáveis ou, em último caso, compramos a bolsa de sangue”, conclui.

Campanha
Com o objetivo de tornar causa mais conhecida entre os tutores de cães e gatos a  linha de  produtos Special Dog, criou a Campanha Doe Amor. Como parte da ação, a empresa elaborou um hotsite (specialdog.com/doeamor) que presta o serviço de esclarecer a causa, informar os critérios para realização da doação e localizar os bancos de sangue pet mais próximos.

Além disso, também foram elaborados materiais de divulgação de campo, como banners, cartazes e folhetos, com foco em clínicas veterinárias e também nos bancos de sangue humano, com o objetivo de conscientizar o público para a causa animal. Utilizamos também das nossas redes sociais para transmitir essas informações e divulgar a campanha.

Segundo a empresa, a motivação da ação se deve ao fato de que atualmente os bancos de sangue veterinários encontram dificuldades para atender a todos os seus pacientes devido à escassez de pets doadores.

Apesar da Doe Amor ter iniciado em novembro de 2018, no mesmo período em que acontece a campanha de doação de sangue humana, a empresa a manterá durante todo o ano como manutenção e reforço sempre no mês de novembro.

“A ideia de estar no mesmo período (da doação humana) é para reforçar a humanização dos pets, que estão cada vez mais sendo tratados como filhos”.

Além da ação, a empresa afirma ter um time com veterinários próprios em campo que estão disseminando o assunto no canal técnico. São realizadas ainda,  ações com nosso público interno de colaboradores.

 

Arlete Moraes

Jornalista | PIRADIGITAL | arlete@piradigital.com.br

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