Às vezes, só queria ser filha…

Quem nunca acordou querendo a mãe?

23/11/2018 | 17:40
Última atualização: 24/11/2018 | 09:44

Foto: Arquivo pessoal

Acordar querendo sua mãe…quem nunca sentiu isto? Eu sempre…

Mas confesso que após me tornar mãe, essa ausência ficou diferente. Quando deixei de ser filha para assumir a missão de mãe, passei a ver com outros olhos a sua importância e também a sentir mais falta de certos carinhos e cuidados que minha mãe tinha comigo – mesmo depois de grande.

Os bebês chegaram e com eles vieram pacotes de alegrias e descobertas, muitas não tão agradáveis. E após dias sem dormir com um dos meninos com febre e depois de um acidente doméstico (podem ficar tranquilos, ninguém se machucou….foi apenas um susto. O Luigi caiu do sofá e se espatifou no tapete de borracha) tudo o que eu queria era poder passar a mão no celular e ligar para a minha mãe.

Ouvir a sua voz, escutar que está tudo bem e, que apesar de todas as dificuldades, estou indo bem nesta minha nova missão. Queria poder chorar nos seus braços e receber aquele abraço único.

Queria poder sentir o seu cheiro, sem que para isto tenha que abrir o seu vidro de perfume. Queria poder chegar em casa e me deparar com a comida deliciosa pronta. Queria até mesmo os puxões de orelha.

Perder a mãe nos faz experimentar um turbilhão de emoções que no meu caso, nem sabia que existiam. Vivi esta experiência há um ano e nove meses – quatro meses antes de engravidar.

E apesar de ter tido a sorte de conviver com a minha mãe por 33 anos, acho que foi muito pouco tempo. Confesso que me sinto nova para viver sem ela – fico imaginando a dificuldade que tem sido para o meu irmão, que se viu sem o seu porto seguro com apenas 20 anos.

Não era para ser um texto triste. Mas hoje, em um momento de desespero, eu só queria ser filha….

Juliana Franco

Juliana Franco

Jornalista, sãocarlense, apaixonada por Piracicaba, viciada em café, viagens, boas histórias e livros. Mãe dos gêmeos Lucca e Luigi. | Instagram: @jufrancojor

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