O sal, o tal do sódio e o que eles não te contam…

Confira as dicas da colunista Thais Camargo e fique atento à quantidade recomendada para o consumo de sal e sódio.

07/07/2017 | 10:39
Última atualização: 11/07/2017 | 07:38

Foto: Banco de imagens (Pixabay)

Vamos criar uma cena: você convidou aquela sua amiga suuuper fitness, toda ligada na alimentação saudável, para ir ao supermercado com você. No seu carrinho só alguns biscoitos, umas barras de chocolate, o leite condensado para fazer aquele brigadeiro gostoso, uns sucos concentrados, aqueles de caixinha sabe? E ela, com um sorrisinho traquina no rosto, te pergunta se você sabe o quanto de sódio está consumindo com esses produtos.

HA!… É claro que você sabe a resposta, mas que pergunta tonta! O sódio faz parte do sal e você não está levando nada salgado, então é claro que você não está consumindo sódio nenhum. Mas será mesmo? Ou é isso que eles querem que você pense?

Assim como o sódio, a indústria alimentícia empurra nos consumidores variedades de açúcares e gorduras em formas diferentes que nós nem imaginamos estar consumindo. Eles vêm disfarçados em nomes estranhos e complexos que parecem até xingamento.

A verdade é que, hoje em dia, quase todo alimento processado contém alguma quantidade de sódio, açúcar ou gordura para deixar o produto mais atraente, mais gostoso e mais durável. Não, eu não sou uma rebelde. Eu consumo muitos desses produtos, apenas sou a favor de que os consumidores tenham consciência daquilo que estão levando para as suas casas.

Então vamos esclarecer essa história do sódio. A sua forma mais conhecida é o cloreto de sódio, aquilo que chamamos de sal de cozinha, aquele branquinho, bem fininho, da vida toda. Ele é muito utilizado em produtos alimentícios porque realça sabor, seja ele salgado ou doce (sim, os doces também), mas principalmente porque conserva os alimentos por mais tempo.

A essa altura você está pensando que não tem para onde fugir e então, aquela sua amiga suuuper fitness do começo da história, fala pra você: “amiga, leva esse sal rosa do himalaia, além de mais saudável, ele é lindo!”. Eu até concordo que ele é lindo, mas não é tão mais saudável quanto querem que você acredite.

Todo sal de consumo humano vem de um tipo de rocha mineral que um dia já foi mar. Sim, todo sal afinal de contas é marinho. Alguns desses mares de milhões de anos atrás já secaram e hoje estão presos em forma de rocha, por exemplo, embaixo de camadas de gelo lá no Himalaia.

Por causa desse gelo todo, a rocha de sal ficou espremida com vários minerais diferentes e protegida, não tem tantas impurezas e por isso não precisa passar por tantos processos químicos até chegar a você, conservando um pouquinho desses minerais junto. O mesmo acontece com o ‘sal marinho’ que vendem por aí prometendo mais benefícios.

Seu processo de obtenção (por evaporação) por si só já é purificante. E, por isso também, não precisa passar por um monte de processos químicos, ficando com um pouquinho desses minerais. Então eles têm mais minerais que o sal refinado de cozinha, o que eles não te contam é que essas quantidades são nutricionalmente desprezíveis. Não fazem nem cosquinha.

Para resumir toda essa história, você teria que comer colheres de sal para conseguir os nutrientes que uma única uva pode te dar. E não sei vocês, mas eu ainda fico com a uva.

Thaís Camargo

Thaís Camargo

Gastrônoma pelo Centro Universitário Senac de Águas de São Pedro (SP) e professora de gastronomia.

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