Pesquisa associa gasto do auxílio-alimentação com produtos de baixa qualidade nutricional

Consumo de massas, farinhas, óleos e gorduras é maior entre os beneficiários

02/07/2019 | 08:58
Última atualização: 02/07/2019 | 15:39

Foto: Divulgação

O cerne dos programas de auxílio-alimentação no Brasil foi a necessidade de combater a desnutrição que acometia uma considerável parte da população brasileira. Os resultados de uma pesquisa realizada no programa de pós-graduação em economia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”/Universidade de São Paulo (Esalq/USP) apontaram que receber o auxílio aumenta as chances de obesidade entre as mulheres e de sobrepeso entre os homens.

A tese tem autoria de Letícia Alves Tadeu Santiago e orientação de Rodolfo Hoffmann. A análise por estratos de renda evidenciou que as chances de excesso de peso e obesidade são maiores entre os homens mais pobres, do primeiro estrato, e de obesidade para as mulheres do segundo estrato.

Em relação aos impactos nos grupos de alimentos consumidos pelos homens beneficiários, foi observado um consumo maior de alimentos dos grupos das farinhas e massas, óleos e gorduras, bebidas, doces, pizzas e salgados, em comparação aos não beneficiários. “Já entre as mulheres que recebem o benefício, foi observado um aumento no consumo de alimentos pertencentes ao grupo de frutas, farinhas e massas e uma redução no consumo de grãos e legumes”, disse a autora.

Os resultados referentes à ingestão de nutrientes revelaram que as mulheres consumiram mais energia, proteína, carboidrato, colesterol, cálcio, magnésio, fósforo, ferro, selênio, retinol e vitaminas como a A, B1, B2, B3, entre outros. Já os homens ingeriram maiores quantidades de energia, carboidrato, magnésio, selênio e vitaminas como B1, B3, B6 e E, entre outros.

A tese concluiu que os programas de alimentação dos trabalhadores estão contribuindo, muitas vezes, com a piora da saúde dos assistidos, em especial os mais pobres. “Em partes, os programas de auxílio-alimentação reduzem a qualidade alimentar dos beneficiários e beneficiárias, pois eles consomem maiores quantidades de alimentos e de componentes alimentares nocivos ao equilíbrio nutricional, ao mesmo tempo que também ingerem mais nutrientes benéficos ao correto funcionamento do organismo”, explicou a autora.

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