Estabelecimentos oferecem brindes para clientes em troca de moedas

Encher o cofrinho tira até um terço das moedas do mercado.

19/10/2018 | 08:20
Última atualização: 19/10/2018 | 13:34

Foto: Agência Brasil

O hábito de encher cofrinhos de moedas pode garantir o chopp do happy hour, o bolo do café da tarde ou ainda a batata-frita que acompanha o lanche. Isto porque para desespero dos comerciantes, o ato de estocar moedas tira de circulação um terço do dinheiro emitido no Brasil, de acordo com o Banco Central. E na tentativa de amenizar a situação, alguns empreendimentos de Piracicaba (SP) trocam o dinheiro por brindes.

“Sofremos com a falta de moedas há dois anos. Para incentivar o consumidor a quebrar o cofrinho, lançamos uma campanha. A cada R$ 50 em moedas, pode ser de qualquer valor, o cliente ganha um chopp de 300 ml”, conta o proprietário do Quiosque Chopp Brahma, Rodolfo Ustulin.

A troca também foi a alternativa encontrada pelo proprietários da lanchonete Caipira – Gastronomia na Rua, Rafael Costa, para angariar moedas. “No momento, estamos trocando moedas por uma batata-frita que, normalmente, vendemos por R$12. Estamos dando de graça para pessoas que trazem R$ 50 em moedas de R$ 0,50 ou R$0,25”, explica.

Na unidade da Padaria do Vovô, localizada no bairro Cidade Alta, os clientes que levam moedas podem trocá-las por um bolo de 300 gramas. O valor necessário para ganhar o brinde é o mesmo: R$ 50.

Situação recorrente
Na Padaria do Vovô essa é a terceira vez que realizam a campanha. Na Lanchonete Caipira, a ação já foi criada ao menos 10 vezes. “Neste ano, já fizemos umas quatro vezes “, comenta Costa.

Segundo o gerente proprietário da Padaria do Vovô, Ademir José Defavari, a campanha é feita conforme a necessidade de adquirir moedas. “Nós achávamos que em um mês resolveria a situação e não resolveu. Por isto, a iniciativa ocorre há quatro meses e, mesmo assim, não conseguimos dar conta de recuperar essas moedas. Desde março não conseguimos recuperar”, comenta ele.

De acordo com os comerciantes, a falta de moedas é constante e os comerciantes só conseguem respirar no início do ano. “Quando o pessoal estoura os cofrinhos (após o Ano Novo). aparece mais moedas e paramos com a ação. Em março e abril, começamos de novo”.

Prejuízos
A escassez de moedas leva alguns comerciantes a terem pequenos prejuízos ao voltar o troco. Rafael Costa conta como resolve o problema em seu estabelecimento. “A gente não gosta desse negócio de dar uma bala. A pessoa não quer comprar uma bala. Ela foi lá por outro motivo. Então, acabamos dando o desconto a favor do cliente”.

Na padaria a situação também se repete. “A gente abre mão do quebradinho, favorecendo o cliente. Se eu tenho que voltar 0,95 eu volto R$ 1”, explica.

Conscientização
De acordo com Luiz Carlos Furtuoso, presidente da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi), a razão para a falta de moedas é que as pessoas acabam guardando e esquecem. Segundo ele, o Banco Central diminuiu a emissão de moedas por conta do custo e por causa do volume que acaba parado nas casas.

“Ele coloca em circulação, imagina que está circulando e não está. Eu acho que isso depende muito mais da população de ajudar a moeda a circular e de tirar do cofre. É mesmo uma consciência de todos aqueles que têm a moeda, entender que ela deve estar em circulação e ela precisa continuar no mercado para facilitar a vida das pessoas”, conclui.

 

 

Arlete Moraes

Jornalista | PIRADIGITAL | arlete@piradigital.com.br

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