Dez mil famílias vivem em condições de moradia precárias em Piracicaba

Na cidade, índice de pessoas beneficiadas com casas populares inadimplentes chega a 80%.

17/10/2018 | 08:00
Última atualização: 17/10/2018 | 10:17

Foto: Banco de Imagens Pixabay.

Dez mil famílias vivem em moradias precárias em Piracicaba (SP), de acordo com informações do prefeito Barjas Negri (PSDB) que, na manhã de terça-feira (16 de outubro), participou do sorteio dos usuários do empreendimento Vida Nova I, II, III e IV, no Ginásio Municipal Waldemar Blatkaukas, que beneficiou 1,2 mil famílias. A empregada doméstica Maria Dulce Duarte, de 65 anos, integra a estatística e há 20 anos sonha com a casa própria.

“Já faz tempo que eu me inscrevi no programa de moradia do governo. Renovei a inscrição não sei quantas vezes”, conta. Após muitas tentativas, na manhã de terça-feira  ela foi uma das sorteadas pela Caixa Econômica Federal (CEF) e a Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba (Emdhap) para morar em um dos apartamentos do Vida Nova, que faz parte do Programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal.

“Pedi tanto a Deus que agora saiu. Faz mais de 20 anos. Cheguei em Piracicaba no comecinho de 2.000. Me inscrevi e todo ano renovei. [As pessoas que estão buscando o financiamento da casa própria] devem batalhar e procurar o seu objetivo”, revela.

Para Barjas Negri, apesar de não eliminado, o déficit habitacional na cidade foi atenuado de forma significativa. “Nós já fizemos o Santa Fé I, o Santa Fé II, Jardim Piracicaba, Gilda, o Ipês e agora nós entregamos o Conjunto Habitacional Vida Nova que vai beneficiar 1,2 mil famílias”, avaliou.

O prefeito também falou sobre a importância do subsídio para as famílias mais pobres. “Se não é o Governo Federal, a Caixa Econômica e a prefeitura fazerem a articulação é muito difícil você atender as famílias de baixa renda (para as quais a prestação é muito cara). A estrutura tem que ser feita parte pela administração municipal, parte pelo Estado e o Governo Federal, que precisa subsidiar”, explicou.

Na categoria I, que engloba famílias com renda até R$ 1,6 mil, o valor das prestações varia de R$ 80 a R$ 260. Mas, além do desafio de conseguir o imóvel, as famílias sorteadas têm que tomar cuidado para não caírem na inadimplência. A taxa de não pagantes em um dos empreendimentos entregues em 2017, por exemplo, é alta. “No Ipês, que nós entregamos no ano passado para 720 famílias, a inadimplência do condomínio e da Caixa Econômica Federal chega perto de 80%”, afirma a coordenadora do Serviço Social da Emdhap, Carol Lopes.

A empregada doméstica Maria, que mora com  o marido e os filhos, acredita que com a nova casa, se sentirá mais à vontade. “Eu estou muito bem agora porque sei que vou ter a minha casa. Ter o cantinho da gente é melhor, né? Vai mudar muita coisa, sabendo que ali é meu. [Agora] é batalhar para pagar”, finaliza.

Entrega
Não há previsão de quando os contemplados, assim como Maria, irão receberão as novas moradias. Mas segundo Barjas, a intenção é que isso ocorra até o fim do ano. “Vocês vão ver a alegria deles por passar o primeiro Natal sem ter que pagar o aluguel”, disse.

Durante o discurso, antes do sorteio, o prefeito culpou a empresa que ganhou licitação para a realização das obras do empreendimento Vida Nova pela demora na entrega. Segundo ele, a vencedora da licitação teve problemas e desistiu do projeto. “Nós, rapidamente, trabalhamos para substituir, para que vocês possam ter a entrega dos apartamentos ainda este ano”.

Segundo a coordenadora do Serviço Social da Emdhap, Carol Lopes, as casas estão quase todas prontas, mas é necessário a documentação de avaliação destas. “A gente acredita que no final deste ano ou no começo do ano que vem, elas serão entregues, mas não temos uma data fechada”.

 

Na manhã de terça, Emdhap fez sorteio para o empreendimento Vida Nova/Foto: Arlete Moraes (PIRADIGITAL)

 

 

 

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