Câmara cobra instalação de comitê de crise no Semae

Por mais de quatro horas, população e vereadores questionaram presidente da autarquia, José Rubens Françoso, sobre falta de água na cidade

22/02/2019 | 14:08
Última atualização: 22/02/2019 | 14:08

Foto: Davi Negri (Câmara de Vereadores de Piracicaba)

Em mais de quatro horas de questionamentos sobre a constante falta de água na cidade e os recorrentes problemas com variações exorbitantes em contas entre um mês e outro, a Câmara de Vereadores de Piracicaba (SP) cobrou na noite desta quarta-feira (20 de fevereiro), durante audiência pública com o presidente do Semae, José Rubens Françoso, a instalação de um comitê de crise na autarquia.

A constatação dos parlamentares é que, diferente das explicações que buscam enquadrar as diversas reclamações como “problemas pontuais”, há uma situação generalizada no município e, muitas vezes, a população tem dificuldade em resolver as pendências com segurança e agilidade por parte da autarquia.

“Fica aqui a importância de criar este comitê de crise, fundamental para dar respostas à população e para que possamos dar celeridade a essa questão”, avalia o vereador André Bandeira (PSDB), que presidiu a audiência pública.

Apresentada pelo vereador Marcos Abdala (PRB), a proposta é que as reclamações referentes, principalmente, a erros nas contas sejam tratadas de maneira específica, em sistema paralelo ao atendimento cotidiano feito pela autarquia. “Eu estaria requisitando se é possível ser feita uma comissão específica para analisar estes problemas”, disse o parlamentar.

Ele indagou o presidente do Semae que, quando a população liga nos canais de atendimento da autarquia, fica vários minutos esperando em não conseguem uma resposta. “Por isso, a necessidade de um comitê”, enfatizou.

De acordo com os parlamentares, o comitê de crise contribuiria também para ter um conhecimento mais qualificado do problema, como disse o vereador Jonson Oliveira, o Maestro Jonson (PSDB). “Se eu tenho em um bairro 10 reclamações e em outro 100, então alguma coisa deve estar errada”, disse.

O presidente do Semae reconheceu que a autarquia não tem um levantamento que qualifique estas reclamações a partir da origem e qual a natureza.

“Acho que seria interessante (esse tipo de levantamento) para que tenhamos um parâmetro sobre quantas pessoas estão com problema”, reforçou Jonson.

Na mesma linha seguiu o vereador Isac Souza (PTB). “O que tem sido colocado para nós é que o atendimento seja feito com mais urgência, sobretudo para os casos mais crônicos, isso ajudaria a tranquilizar a população”, enfatizou.

A vereadora Adriana Cristina Sgrigneiro Nunes, a Coronel Adriana (PPS), e o vereador José Aparecido Longatto (PSDB) também destacaram a necessidade de melhora na captação das demandas dos contribuintes. “É importante ter um relatório sobre as ligações”, disse a parlamentar. “O Semae precisa de uma ouvidoria, iria facilitar para ir até o ponto do problema”, lembrou Longatto.

O vereador Lair Braga (SD) reforçou o pedido dos colegas de plenário para que a autarquia agilize a solução dos questionamentos. “Queria que fosse criado um gabinete de crise para que os problemas fossem resolvidos”, disse.

Vice-presidente da Mesa Diretora, Pedro Kawai (PSDB) avaliou que embora as explicações tenham sido “bem plausíveis”, a criação do comitê e de uma futura ouvidoria do Semae, ajudaria para ter um canal direto de ligação com os contribuintes. “Estamos em um momento de crise e de pressão popular”, disse.

Servidor licenciado do Semae, o vereador Rerlison Rezende (PSDB) cobrou melhor condição de trabalho para os funcionários da autarquia e lembrou que o objetivo das cobranças, muito além de ser oponente, é exercer o papel de fiscalização. “Todos nós queremos o bem do Semae, todos os movimentos democráticos são válidos, desde que sejam em prol da população”, disse.

Outros vereadores também fizeram questionamentos ao presidente Semae, desde o problema do ar na rede – já que algumas denúncias dão conta de que pode aumentar o valor das contas – até questões mais pontuais, encaminhadas por eleitores, passando pela necessidade constante de investimentos para a qualidade do serviço oferecido pela autarquia na cidade.

Já entre a população, foram apresentadas perguntas a respeito do tratamento de esgoto, variação e critérios para cobranças de acordo com metros cúbicos e critérios para realização de serviços dentro das residências.

Participaram da audiência o presidente da Câmara, Gilmar Rotta (MDB); o 2o-secretário, Wagner Oliveira, o Wagnão (PHS), os vereadores Osvaldo Schiavolin, o Tozão (PSDB); Nancy Thame (PSDB), Adilsa Marques, o Paraná (PPS), Ary de Camargo Pedroso Jr. (SD), Laércio Trevisan Jr. (PR), e Carlos Gomes da Silva, o Capitão Gomes (PP).

Durante a sua explanação, o presidente do Semae, José Rubens Françoso, apresentou plano de investimento, detalhou o funcionamento do sistema de abastecimento de água, assim como informou valores orçamentários. Participaram ainda da audiência o diretor de operações, Pedro Alberto Caes, e o diretor de tratamento de água, José Maria Marchiori.

Estiveram representantes da Ares-PCJ (Agencia Reguladora de Saneamento das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), Dalton Prachi e Gabriel Bertola. A deputada estadual eleita Maria Izabel Noronha, a Bebel (PT), também participou da audiência pública.

 

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